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Endometriomas e endometriose: veja o que são e qual a relação

Endometriose, endometrioma e endometrite são termos semelhantes e que podem despertar dúvidas em quem ainda não tem conhecimento sobre essas doenças. O ponto em comum entre tais condições é que todas estão, de alguma forma, associadas ao endométrio — tecido que reveste a parte interna do útero.

Apesar da semelhança no nome, as causas e apresentações clínicas dessas doenças são distintas. Em rápida explicação: a endometrite é uma inflamação no endométrio, causada principalmente por microrganismos infecciosos; os endometriomas são cistos ovarianos; a endometriose é uma condição ainda mais complexa, que pode afetar diversas partes da região pélvica.

Neste post, daremos enfoque aos endometriomas e à endometriose. Leia o que vem a seguir e obtenha mais informações sobre essas doenças, incluindo as principais características, os impactos na fertilidade feminina e as possibilidades de tratamento para a mulher que deseja engravidar!

Endometriose e endometrioma: o que são?

A endometriose é uma condição crônica, marcada por processos inflamatórios que se intensificam durante o período menstrual. Nesse quadro, células do endométrio se implantam em diferentes partes da pelve, como ovários, tubas uterinas, peritônio, bexiga, intestino, ligamentos que sustentam o útero, entre outras.

Durante o período menstrual, tanto o tecido intrauterino quanto o endométrio que cresceu fora do útero reagem à ação do estrogênio (um dos principais hormônios sexuais femininos) e sangram. No útero, esse processo é normal e significa a descamação do tecido endometrial, que havia se preparado para receber um embrião — quando não há fecundação, a menstruação marca o início de um novo ciclo reprodutivo.

Nos órgãos afetados pelos focos de endometriose, os episódios cíclicos de sangramento provocam a inflamação, que pode desencadear sintomas como:

  • dor pélvica;
  • cólicas intensas;
  • dor durante as relação sexuais;
  • dificuldades urinárias (aumento da frequência, presença de sangue na urina e dor para urinar);
  • alterações intestinais (constipação, presença de sangue nas fezes e dor para evacuar);
  • infertilidade.

As apresentações da endometriose variam de acordo com o tipo da doença, sendo mais evidentes quando há infiltrações profundas. Em relação aos aspectos morfológicos, a endometriose se divide em:

  • superficial peritoneal: quando as lesões endometrióticas se limitam ao peritônio ­— mucosa que recobre a cavidade abdominopélvica —, mas não se infiltram profundamente;
  • endometriose ovariana: caracterizada por implantes de endométrio ectópico nos ovários, o que resulta na formação de cistos, chamados de endometriomas;
  • infiltrativa profunda: forma mais agressiva da doença, que pode acometer tubas uterinas, bexiga, intestino e outros órgãos pélvicos. Nesse quadro, as lesões são profundas e os sintomas normalmente intensos.

Vemos, portanto, que os endometriomas estão diretamente relacionados com a endometriose. Contudo, trata-se de uma condição específica com um impacto significativo na fertilidade da mulher. Nessa doença, as células endometriais se acumulam nos ovários e ocasionam o sangramento ciclo após ciclo. Com isso, cistos se desenvolvem, preenchidos por sangue envelhecido, sendo também chamados de cistos de chocolate, devido ao seu aspecto escuro.

Diferentemente da endometriose infiltrativa profunda, os endometriomas geralmente não provocam sintomas de dor, mas estão fortemente ligados à dificuldade de concepção.

Como os endometriomas interferem na fertilidade da mulher?

Os endometriomas interferem na função ovulatória, uma vez que acarretam a redução da reserva ovariana — o que se refere à quantidade de óvulos armazenados. Diferentemente do homem, que continua produzindo espermatozoides ao longo da vida, as mulheres nascem com um determinado número de gametas que diminui a cada ciclo menstrual.

Em ciclos reprodutivos regulares, mês após mês, vários folículos ovarianos — estrutura que armazena o óvulo — são recrutados para amadurecer, embora somente um chegue ao ponto de ovulação. Assim, ocorre a redução natural da reserva ovariana. Isso explica por que a idade é um fator de infertilidade feminina. Por volta dos 40 anos, a quantidade de óvulos armazenados é baixa e as chances de uma gravidez espontânea são mínimas.

Em relação aos endometriomas, o tratamento cirúrgico para retirada dos cistos é tão arriscado para a fertilidade quanto a própria doença. Isso porque, durante a cirurgia, podem ocorrer lesões acidentais nos ovários com impacto irreversível à reserva ovariana. Nesses casos, o congelamento dos óvulos é uma alternativa vantajosa.

A técnica faz parte dos tratamentos de fertilização in vitro (FIV) e possibilita a preservação da fertilidade feminina. Dessa forma, após a cirurgia dos endometriomas, a mulher ainda tem chances de engravidar com seus próprios gametas.

Quais são os desafios da endometriose?

A endometriose pode afetar a vida da mulher em vários níveis, podendo causar incômodos toleráveis ou sintomas incapacitantes, principalmente durante o período menstrual. Assim como é complexa, a doença também é estigmatizada.

Muitas pessoas que desconhecem o quadro podem acreditar em afirmações equivocadas. Portanto, o acompanhamento médico é o melhor caminho para esclarecer dúvidas e compreender as próprias condições de saúde.

De modo resumido, podemos listar os principais desafios enfrentados pela mulher com endometriose:

  • dificuldade para chegar ao diagnóstico correto;
  • dúvidas e informações errôneas sobre o tema, as quais despertam ainda mais insegurança — como a associação da doença com o câncer;
  • dor limitante durante os dias de menstruação, impedindo a execução de atividades rotineiras;
  • comprometimento da fisiologia básica do organismo, quando os focos da doença afetam bexiga e intestino;
  • prejuízos na vida sexual, devido ao medo da dor durante as penetrações (dispareunia de profundidade);
  • dificuldade para engravidar;
  • desordens emocionais, como ansiedade e depressão, em razão do impacto na qualidade de vida de modo geral.

Como a reprodução assistida lida com esses casos?

As técnicas de reprodução assistida não são destinadas à correção das lesões da endometriose. O foco do tratamento é superar as barreiras da infertilidade e aumentar as chances de gravidez. Sendo assim, um acompanhamento específico deve ser feito antes das tentativas de gestação, a fim de avaliar a gravidade do quadro e tratar a doença — se necessário, cirurgicamente.

Em mulheres com apresentações moderadas da endometriose, isto é, sem prejuízos evidentes aos ovários e tubas uterinas, é possível tentar a gravidez primeiramente com as técnicas de baixa complexidade da reprodução assistida — relação sexual programada com indução de ovulação e inseminação artificial. Nos casos mais graves, a FIV é indicada como uma alternativa bem mais promissora.

Ainda tem dúvidas a respeito dessa doença? Então, aproveite para ler nosso texto específico sobre endometriose!

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