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Fertilização in vitro: técnica de reprodução assistida de alta complexidade

A fertilização in vitro (FIV) é o tratamento mais realizado nas clínicas de reprodução assistida, basicamente por ter os resultados mais efetivos. A FIV é o tratamento no qual se induz a ovulação da paciente e, depois disso, os óvulos são retirados dela. No mesmo dia, obtêm-se o espermatozoide do marido ou do banco de sêmen.

A etapa seguinte é a fertilização lá dentro do laboratório de reprodução assistida para a formação dos embriões, que vão se desenvolver por aproximadamente cinco dias, vão ser avaliados e selecionados pela característica morfológica deles ou por um teste genético. Assim, sabe-se qual é o embrião que tem o maior potencial de gravidez depois de transferido para o útero.

A transferência pode ser realizada no mesmo mês da retirada dos óvulos – isso chama-se transferência a fresco – ou pode ser realizada em algum momento no futuro: um, dois ou três meses ou mesmo dois, quatro anos ou mais depois da retirada dos óvulos. É o que se chama de transferência do embrião congelado.

Neste texto, vamos detalhar a etapa de indução da ovulação. Vamos lá!

Indução da ovulação

Classicamente, começa-se a induzir a ovulação da paciente com ela menstruada. Existem atualmente outras modalidades de indução da ovulação, que se chamam indução da ovulação na fase lútea, na fase depois da ovulação, random stim, que tem início em qualquer dia, independentemente do dia do ciclo menstrual dela.

Mas a técnica mais comum é a indução da ovulação que se inicia quando a paciente está menstruada. Então, habitualmente avalia-se essa paciente com ela menstruada para verificar se o ovário dela naquele momento está adequado para começar a indução da ovulação.

Nesse momento, ela vai para a clínica e faz um ultrassom para avaliação dos ovários, que verifica se tem algum cisto ou alguma situação fisiológica que atrapalhe o desenvolvimento dos folículos, avalia o potencial ovariano daquele mês.

É feita uma contagem de folículos antrais para saber se aquele é o melhor momento para começar a indução da ovulação e verificar se o endométrio da paciente está adequado, quando a intenção é fazer a transferência embrionária no mesmo mês.

Se o ultrassom basal estiver adequado, inicia-se a indução da ovulação propriamente dita, que é realizada por aproximadamente 10 a 12 dias. Durante esse período, após o início da menstruação, classicamente, a paciente vai receber medicações injetáveis diariamente.

Depois de cerca de seis dias do início da indução da ovulação, a paciente volta à clínica para fazer o seu primeiro ultrassom, que se repete a cada dois dias. Esses ultrassons vão determinar o momento adequado de se iniciar algum outro tipo de medicação para otimizar a indução da ovulação ou para impedir que a ovulação aconteça precocemente.

Esses ultrassons avaliam o desenvolvimento dos folículos da paciente e, quando houver um bom número de folículos crescendo e pelo menos dois ou três com 18 milímetros ou mais, determina-se que aquele é o momento, é o dia correto para a aplicar a medicação que vai deflagrar a ovulação da paciente.

Habitualmente, aplica-se essa medicação à noite. A medicação pode ser o hCG ou os análogos agonistas do GnRH, que vão provocar aproximadamente 36 horas depois a ovulação da paciente. Como se sabe que ela vai ovular mais ou menos 36 horas depois, uma hora antes a paciente vai para a clínica em jejum, faz a sua admissão e vai para o centro cirúrgico.

O anestesista prepara essa paciente e a monitoriza. Depois de monitorizada, com acesso venoso, ela recebe o anestésico, que geralmente é o Propofol. A paciente, 10 segundos depois do início da aplicação do Propofol, começa a dormir. O procedimento da coleta de óvulos dura de 10 a 15 minutos.

Assim que a paciente começa a dormir, é feita uma assepsia vaginal. Depois da assepsia vaginal, utiliza-se o ultrassom transvaginal. Na extremidade desse ultrassom ou no transdutor, tem uma guia, que serve para introdução de uma agulha que vai, guiada por esse ultrassom, puncionar cada um dos folículos produzidos, que são esvaziados.

O líquido folicular vai para dentro de um tubo, que é encaminhado para o laboratório. No mesmo momento, o conteúdo do tubo é avaliado ao microscópio para que as embriologistas identifiquem o número de oócitos que foram captados e informem durante o procedimento se temos o suficiente.

O procedimento dura entre 10 e 15 minutos. Antes da conclusão, verifica-se se há algum sangramento vaginal, como um exame ginecológico para coleta de papanicolau. A paciente acorda. Ela respirou espontaneamente durante toda a sedação. Ela é levada para uma maca e direcionada para o quarto de recuperação.

Coleta de espermatozoides

Simultaneamente à coleta dos óvulos, o marido vai para a sala de coleta seminal para colher sua amostra seminal por meio, habitualmente, da masturbação. Quando o marido não produz espermatozoides, normalmente um pouco antes ou um pouco depois da coleta de óvulos, ele vai para o centro cirúrgico para obter os espermatozoides por cirurgia.

Isso é feito normalmente por punção do testículo ou do epidídimo. Em algumas situações mais complexas de fatores masculinos graves, em que ele não produz espermatozoide algum, muitas vezes é necessário levar o paciente para o centro cirúrgico, em que vai ter um microscópio específico.

Todo o staff laboratorial se dedica a identificar os raros espermatozoides que o urologista encontra durante esse procedimento de obtenção microcirúrgica dos espermatozoides do testículo.

Fecundação na FIV e cultivo embrionário

Os espermatozoides coletados, seja no centro cirúrgico, seja por meio da masturbação, seguem para o laboratório, recebem um preparo especial é são colocados dentro do óvulo por um procedimento chamado ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Alguns pacientes, dependendo do caso, podem fazer um tratamento chamado de FIV convencional.

Realizada a FIV, esses óvulos vão se transformar em embriões, crescendo por aproximadamente cinco dias no laboratório. Depois desses cinco dias de crescimento, vão atingir um estágio chamado de blastocisto, que é um embrião com mais ou menos de 100 a 120 células. Esses blastocistos serão então selecionados para transferência. Se não houver a necessidade de fazer um teste genético deste blastocisto, a escolha do melhor é feita de acordo com critérios morfológicos.

Se houver indicação de teste genético ou se hormonalmente a paciente naquele mês não estiver tão receptiva à transferência do embrião ou ainda se naquele mês a paciente produziu uma quantidade grande de folículos e, com isso, estiver em risco de desenvolver a síndrome de hiperestimulação da ovulação, a melhor opção é congelar o embrião.

Transferência embrionária

O embrião pode ser transferido a fresco, no mesmo ciclo, caso esteja tudo como o esperado e não tenha indicação de teste genético, ou pode ser congelado para ser transferido no ciclo seguinte, quando o organismo da mulher estiver preparado de forma adequada.

É assim que funciona, de maneira objetiva, a FIV.

Se você gostou do conteúdo, há muitos outros interessantes no site, como o de PGT, que é o teste genético.

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Transferência embrionária: conheça a última etapa da FIV
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