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O que é ERA e como é realizado o teste?

Na primeira fase do ciclo menstrual, quando o corpo da mulher se prepara para receber um embrião e gerar uma nova vida, o endométrio (revestimento interno do útero – onde o embrião irá se implantar) começa a se preparar para receber o embrião. Esse preparo passa por um aumento de espessura e diversas mudanças microscópicas e genéticas, sem as quais a gravidez não consegue começar.

É no endométrio que o embrião vai se implantar, ou seja, se fixar, dando início à gestação. Para que essa implantação ocorra de maneira eficaz, ela precisa acontecer no momento certo, quando o endométrio está em suas melhores condições para recebê-lo.

Esse período, chamado de janela de implantação, costuma ocorrer do 18º ao 21º dia de um ciclo natural. Por isso, é com base nesses dias que são definidos os protocolos das técnicas de reprodução assistida, como a FIV (fertilização in vitro). No entanto, será que esse período é o mesmo para todas as mulheres? Muitas pesquisas tentam encontrar essas respostas e vamos tentar explicar como isso tudo funciona.

Hoje sabe-se que a janela de implantação pode variar e, no caso de uma FIV, essa variação pode interferir nas taxas de sucesso e resultar em falhas de implantação.

O teste de receptividade endometrial (ERA) tem exatamente esse objetivo: o de saber qual o melhor momento para que o embrião seja transferido ao útero em um ciclo de FIV para que tenha melhores chances de se implantar.

Neste artigo, você vai entender melhor o que é o ERA e se ele pode uma ferramenta para aumentar as chances de sucesso da FIV. Confira!

A FIV e a janela de implantação

Os métodos de reprodução assistida podem ajudar muitos casais que tenham algum problema relacionado à fertilidade, seja ela feminina, seja masculina. Um exemplo é a FIV, uma técnica altamente complexa e especializada. Nela, os óvulos são retirados diretamente dos ovários por meio de um procedimento de aspiração e fertilizados em laboratório com os espermatozoides do parceiro ou doados.

Depois de se desenvolverem por alguns dias, também em laboratório, os embriões são transferidos para o útero, e depois de aproximadamente 10 dias poderemos confirmar se a gravidez aconteceu ou não. Para que o tratamento de FIV seja bem-sucedido, é fundamental que o endométrio esteja nas suas melhores condições para receber o embrião, favorecendo a implantação.

O que é o ERA e quando ele é indicado

O teste de receptividade endometrial ou endometrial receptivity array (ERA) é um exame que visa identificar a janela de implantação da paciente. Ele é uma técnica complementar à FIV, ou seja, não é realizado em todos os casos, mas em algumas situações específicas pode fornecer informações importantes para personalizar a estratégia para a paciente.

De maneira geral, o exame é indicado para pacientes com histórico de falhas de implantação com embriões de boa qualidade em tentativas anteriores de FIV.

Como é feito o ERA

O ERA é realizado a partir de uma biópsia do endométrio, que é feita rapidamente pelo próprio especialista em reprodução. O material é enviado para um laboratório especializado, o qual realiza um estudo genético que analisa 248 genes relacionados à receptividade do endométrio.

O exame deve ser realizado na data em que seria feita a transferência dos embriões na FIV e, de acordo com a indicação do médico, costumo conduzir esse exame com preparo endometrial, com medicamentos à base de estrógeno e progesterona.

O resultado do ERA indica se o endométrio, no dia em que foi colhida a amostra (o dia em que habitualmente faríamos a transferência embrionária), é receptivo ou não receptivo, ou seja, se estava em condições adequadas para receber o embrião. Se o resultado for “receptivo”, significa que, naquele dia, o endométrio está em condições favoráveis para a implantação. Nesse caso, a recomendação é a de realizar a transferência dos embriões no dia correspondente do ciclo seguinte.

Para que as condições do endométrio avaliadas pelo ERA sejam as mesmas, é necessário que o preparo também seja igual: com as mesmas medicações, e principalmente com o mesmo número de dias e horas de uso de progesterona.

Se o resultado for “não receptivo”, significa que a janela de implantação da mulher está deslocada, ou seja, acontece um pouco antes ou depois do período em que foi coletada a amostra. Nesses casos, o endométrio pode ser classificado como pré ou pós-receptivo.

Quando considerado como pré-receptivo, a recomendação é que o tempo de preparo endometrial seja um pouco mais longo do que o realizado para o ERA. Se ele for classificado como pós-receptivo, a paciente deve receber menos progesterona do que o que foi usada no último ciclo.

Dessa forma, como técnica complementar, o ERA pode ser uma importante ferramenta para auxiliar a equipe médica a definir a melhor estratégia durante a FIV. A informação sobre a receptividade endometrial fornecida pelo exame serve como base para reavaliar o preparo endometrial e identificar o momento mais adequado para a transferência dos embriões.

Vale aqui lembrar que o teste ERA ainda precisa ser testado por muitos estudos científicos para que seus resultados sejam confirmados em mais pacientes, só assim teremos certeza de indicar um exame com eficácia e segurança, objetivando melhorar os tratamentos de reprodução assistida.

Se você gostou deste conteúdo, que tal se aprofundar ainda mais a respeito do ERA? Toque aqui e confira informações mais detalhadas sobre o exame.

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