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Endometriose em adolescentes: causa infertilidade?

A endometriose acomete muitas mulheres em idade reprodutiva, isto é, no período entre a menarca (primeira menstruação) e a menopausa, devido à produção de estrogênio, hormônio relacionado ao controle da ovulação e ao desenvolvimento de características femininas.

A dificuldade para conceber naturalmente é uma das consequências da endometriose. Ainda que esse não seja um plano comum na adolescência, é importante entender o assunto, pois se a doença existir e não for tratada preventivamente, pode comprometer a qualidade de vida na idade adulta.

Neste texto vamos esclarecer, com mais detalhes, o assunto. Se você ou uma adolescente próxima apresenta sintomas ou foi diagnosticada com endometriose, acompanhe a leitura e saiba mais sobre a doença, sintomas associados e sua relação com a infertilidade.

O que é endometriose?

Durante o ciclo menstrual, acontecem diversas alterações no sistema reprodutor feminino, controladas por diferentes hormônios, com o objetivo de viabilizar a gestação. O estrogênio é responsável por estimular o espessamento do endométrio, camada interna uterina na qual o embrião se implanta após a fecundação.

Em mulheres com endometriose, no entanto, as células do endométrio (ou células muito semelhantes) são encontradas em outros órgãos e, devido à ação hormonal, principalmente do estrogênio, ocorre um estímulo ao crescimento desses focos, causando um processo inflamatório.

A doença pode acometer diferentes órgãos, como o peritônio (membrana que reveste a parede abdominal e a superfície de órgãos digestivos), a bexiga, os ovários e as tubas uterinas e, assim, dificultar processos importantes à gestação, como o transporte do óvulo e a fecundação.

Além disso, pode causar alterações imunológicas, anatômicas e na reserva ovariana, seja na quantidade, seja na qualidade dos óvulos.

Esses desafios contribuem para que a endometriose seja uma das causas mais comuns de infertilidade feminina.

Quais são os sintomas da endometriose na adolescência?

Os principais sintomas da endometriose são dores, que podem se manifestar na região inferior do abdômen, como dispareunia (dor na relação sexual), em funções intestinais e urinárias e em cólicas menstruais, sintoma mais comum em adolescentes, geralmente progressivas e intensas.

Em adolescentes, dores pélvicas são sintomas ainda mais claros na falta de resposta ao uso de anti-inflamatórios não hormonais e anticoncepcionais hormonais orais. Nessa faixa etária, sintomas vesicais e intestinais são mais comuns, geralmente associados aos períodos menstruais.

No entanto, em grande porcentagem das adolescentes com endometriose, a doença se manifesta em estágio leve a moderado e a dor pode estar ou não associada ao ciclo menstrual e nem sempre os sinais são claros, o que dificulta o diagnóstico.

Por isso, é importante estar vigilante, especialmente se a adolescente tem histórico familiar de endometriose ou malformações uterinas congênitas, condição que contribui para o desenvolvimento da doença.

Em caso de suspeita, é necessário consultar um ginecologista para realização de exames físico e de imagem.

O diagnóstico da doença, aliás, costuma demorar anos, o que pode prejudicar as chances de sucesso do tratamento e a fertilidade na idade adulta.

A infertilidade na adolescência tem consequências na vida adulta?

Sim, por isso é tão importante diagnosticar a doença precocemente. A incidência da endometriose e a dor pélvica associada tendem a aumentar com a idade e, além disso, ainda não existe cura definitiva para a endometriose.

No entanto, há maneiras de controlar seu avanço e oferecer uma qualidade de vida normal à paciente, inclusive, sendo possível, em alguns casos, restaurar a fertilidade.

O tratamento medicamentoso é realizado com o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e hormônios à base de progesterona, o que ajuda a bloquear a ação do estrogênio e, assim, a combater a dor pélvica e impedir o desenvolvimento da endometriose.

No entanto, o tratamento hormonal não pode ser permanente, devido a efeitos colaterais. Se não eficaz, a videolaparoscopia é outra opção. A cirurgia tem como objetivo erradicar os focos da endometriose, embora exista a chance de prejudicar a fertilidade da paciente e de reincidência da doença. Por isso, hoje indicamos a realização da preservação da fertilidade antes da cirurgia, que é o congelamento de óvulos.

No entanto, a reincidência pode ser evitada se a mulher adotar um estilo de vida saudável, com orientação nutricional e a prática regular de atividade física.

Na hipótese de nenhuma das terapias anteriormente mencionadas prover resultados satisfatórios, a solução pode estar na reprodução assistida. A técnica ideal depende de uma avaliação individualizada, que considera idade, sintomas, locais comprometidos pela endometriose e outras informações do perfil da paciente.

A endometriose é uma das doenças mais comuns relacionadas à infertilidade e pode acometer mulheres na adolescência. Os principais sintomas são dores, especialmente nos casos em que não há solução após o uso de anti-inflamatórios e anticoncepcionais.

Nesse público, em geral, os sinais são leves ou moderados, mas a enfermidade pode avançar com o passar dos anos e causar dificuldades para engravidar na vida adulta. Por isso, é importante diagnosticar e tratar a doença precocemente, o que, além de diminuir os desconfortos, pode recuperar a fertilidade.

Se isso não for possível por meio de tratamento medicamentoso ou cirúrgico, a reprodução assistida é uma opção para quem quer engravidar.

Aqui você encontra mais informações sobre a doença!

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