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Preparação Seminal

A preparação do sêmen é um procedimento que tem como objetivo selecionar os melhores espermatozoides para realização de qualquer técnica de reprodução assistida, como a inseminação intrauterina (IIU) e a fertilização in vitro (FIV), e assim aumentar as chances de sucesso.

Depois de coletarmos o sêmen, independentemente para qual finalidade, se para IIU, FIV, doação ou criopreservação, fazemos seu encaminhamento para o laboratório de andrologia, em que serão feitos a análise e o preparo seminal.

Para fazer a seleção dos melhores espermatozoides, o laboratório avalia uma série de parâmetros do sêmen. São analisados aspectos macroscópicos, como viscosidade, liquefação, volume, cor e pH, e microscópicos, como a quantidade de espermatozoides no sêmen, motilidade, vitalidade e morfologia.

O laboratório emprega, basicamente, duas técnicas para fazer o preparo do sêmen:  migração ascendente (swim-up) e gradiente descontínuo de densidade:

  • Migração ascendente (swim-up): a técnica de swim-up elimina o plasma seminal, debris, material amorfo, células esfoliativas, espermatozoides mortos, imóveis e aqueles sem velocidade de progressão direcional. Ao final, obtém-se uma amostra limpa contendo espermatozoides que exibem excelente motilidade. Essa técnica recupera cerca de 20% dos espermatozoides móveis presentes no ejaculado inicial. A principal vantagem do swim-up é a recuperação de células de alta qualidade, embora o número de espermatozoides não seja tão elevado, principalmente quando a motilidade inicial da amostra é baixa.
  • Gradiente descontínuo de densidade: baseia-se na aplicação de uma força centrífuga nos espermatozoides e outros elementos particulados do sêmen, obrigando-os a vencer gradientes de densidades diferentes. Este método é mais rápido e geralmente recupera maior proporção de espermatozoides móveis do que a técnica de swim-up, em todos os tipos de infertilidade masculina. Entretanto, a qualidade final da motilidade é inferior àquela obtida com o swim-up.

Fragmentação DNA Espermático

Estudos recentes têm demonstrado que o alto índice de fragmentação do DNA espermático pode ser causa de infertilidade masculina. Ela pode ser causada por fatores como idade, produção de radicais livres, poluição, dieta, uso de drogas, entre outras.

Testes específicos mostram claramente que espermatozoides morfologicamente normais e móveis podem apresentar níveis altos de fragmentação do DNA. Altos níveis de fragmentação têm estreita relação com o insucesso gestacional. Valores elevados de fragmentação estão associados a pior qualidade embrionária, menor taxa de implantação e maior risco de abortos.

Portanto, mesmo indivíduos que apresentam espermograma normal podem ser portadores dessa desordem. Dessa forma, indicamos a pesquisa específica de fragmentação do DNA espermático para casais expostos a fatores de risco ou com histórico de falhas e/ou abortos anteriores.

Consideramos elevado um índice de fragmentação do DNA superior a 16% e, a depender do índice, o classificamos como leve, moderado ou grave. É importante que o paciente seja avaliado por um urologista especializado em reprodução humana.

O tratamento dependerá do histórico do paciente e do valor de fragmentação. De modo geral, orientamos algumas medidas para diminuir os fatores de risco, como perda de peso e cessar tabagismo, além do uso de vitaminas com o objetivo de tentar melhorar a qualidade dos espermatozoides.

Em alguns casos, indicamos a realização de PICSI, que é um recurso laboratorial usado no tratamento de FIV​ que seleciona os melhores espermatozoides para serem injetados no óvulo.

O esperma é colocado em uma placa laboratorial, com uma substância parecida com a que é encontrada na camada externa dos óvulos. Essa substância atrai os espermatozoides de melhor qualidade e com menor fragmentação do DNA, que serão isolados e encaminhados para a fertilização.

Em casos mais graves, é possível que seja necessária a obtenção de espermatozoides por TESE (veja em TESE e Micro-TESE).

Assim, a avaliação da fragmentação do DNA no espermatozoide ganha destaque nas análises pré-tratamento para reprodução assistida, melhorando os resultados em certos casos, como falhas em ciclos de fertilizações prévios e abortos repetidos.

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