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O que é espermograma e quando é solicitado?

Você sabia que o sêmen é mais espesso na ejaculação e dilui ou liquefaz em pouco tempo fora do organismo? Possui dois componentes principais: os espermatozoides, células sexuais masculinas produzidas pelos túbulos seminíferos, localizados nos testículos, e o fluído seminal, produzido pela próstata e pelas vesículas seminais, responsável pela nutrição dos gametas masculinos.

É o sêmen que conduz os espermatozoides até as tubas uterinas para que a fecundação aconteça.

A vesícula seminal é responsável pela produção de cerca de 70% do plasma seminal, que contém aminoácidos, enzimas e principalmente frutose, garantindo a nutrição dos espermatozoides. Já a próstata responde pelos outros 30% com sustâncias importantes para neutralizar o ambiente ácido da vagina.

Os espermatozoides em si são responsáveis por uma pequena parte do volume do ejaculado, mas são encontrados dezenas de milhões de espermatozoides no sêmen. Os espermatozoides são constituídos por três partes: cabeça, pescoço e cauda com flagelo. A cabeça contém uma cópia de cada cromossomo, os genes masculinos, e o flagelo é responsável pelo movimento.

Continue a leitura para saber o que é o espermograma e quando ele é solicitado.

O que é espermograma e quando ele é solicitado?

Espermograma é o exame padrão realizado para avaliar a saúde reprodutiva dos homens e é principalmente solicitado para investigar a causa da infertilidade do casal.

Ainda que os problemas de infertilidade sejam historicamente atribuídos às mulheres, podem ser provocados por fatores femininos ou masculinos em igual proporção.

Para ser diagnosticado como infértil é preciso haver pelo menos um ano de tentativas sem sucesso, com a prática de relações sexuais desprotegidas.

Os principais problemas de infertilidade masculina estão relacionados a alterações que ocorrem na estrutura dos espermatozoides – na forma (morfologia) e movimento (motilidade) – no processo de produção (espermatogênese), na qualidade seminal e na dificuldade com o transporte.

Essas alterações podem ser provocadas por diferentes condições, como processos inflamatórios que afetam o sistema reprodutor masculino, entre eles orquite, dos testículos, epididimite, do epidídimo (duto no qual os espermatozoides são armazenados após serem produzidos) e prostatite, da próstata, que geralmente surgem como consequência de infecções por bactérias, incluindo as sexualmente transmissíveis, como as de clamídia e gonorreia.

Outras doenças afetam a espermatogênese, como a varicocele e por obstruções que impedem ou dificultam o transporte dos espermatozoides para que a fecundação aconteça.

O espermograma aponta, ainda, a presença de glóbulos brancos, que sinalizam para possibilidade de inflamações. Além disso, é normalmente solicitado após cirurgia de vasectomia, para esterilização masculina, ou a reversão do procedimento (reversão da vasectomia) e para avaliar o funcionamento dos testículos.

Ao mesmo tempo, auxilia em diagnósticos nos tratamentos de reprodução assistida e contribui para diagnosticar patologias masculinas causadas por processos inflamatórios.

Os resultados do exame contribuem para a orientação do tratamento mais adequado para cada paciente. Quando há problemas de infertilidade, outros exames laboratoriais e de imagem podem, ainda, ser solicitados.

Como a análise é realizada?

Para realizar a análise as amostras de sêmen são coletadas por masturbação em recipientes estéreis. No entanto, antes de coletar as amostras o paciente deve ficar em abstinência sexual de no mínimo três dias a no máximo cinco dias.

O ideal é que mais de uma amostra seja avaliada, por isso até três amostras são coletadas em intervalos de sete dias, pois pode haver uma variação diária na contagem de espermatozoides.

O espermograma avalia diferentes parâmetros do sêmen e dos espermatozoides. Para isso, são feitos dois tipos de análise nas amostras coletadas: macroscópica e microscópica.

A análise macroscópica ou seminal, investiga características do sêmen e a microscópica, dos espermatozoides. Veja os critérios que são avaliados:

Análise seminal ou macroscópica

  • Volume;
  • Viscosidade (consistência);
  • pH (acidez);
  • Frutose (açúcar presente no sêmen, que fornece energia para os gametas);
  • Capacidade de coagulação e liquefação: velocidade com que passa da consistência mais espessa para a líquida;
  • Presença de glóbulos brancos.

Análise dos espermatozoides ou microscópica

  • Concentração: número de espermatozoides por volume de sêmen e o total de espermatozoides nas amostras;
  • Morfologia (forma): analisa tamanho e forma, determinando o percentual de espermatozoides normais e anormais;
  • Motilidade dos espermatozoides, determinando percentualmente a capacidade de movimento, vigor e direção;
  • Número de espermatozoides imaturos.

Resultados apontados pelo espermograma

Nos casos em que o espermograma detecta problemas que podem resultar em infertilidade, o exame pode indicar os resultados:

  • Azoospermia: quando há ausência de espermatozoides nas amostras analisadas;
  • Oligozoospermia: quando há baixa concentração de espermatozoides nas amostras analisadas;
  • Astenozoospermia: quando há um percentual mais alto de espermatozoides com motilidade reduzida;
  • Teratozoospermia: quando há um percentual mais alto de espermatozoides com morfologia anormal;
  • Criptozoospermia: quando a presença de espermatozoides individuais nas amostras após a centrifugação é rara.

Já no resultado considerado normal, denominado ‘Normozoospermia’, os parâmetros seminais e dos espermatozoides apresentados são:

Seminais

  • Cor e aspecto: branco opalescente;
  • Volume em mililitro (ml): 1,5;
  • Viscosidade: normal;
  • Tempo de liquefação: 60 minutos;
  • pH: 7,2 de acidez.

Espermatozoides

  • Concentração total: 39,0 milhões presentes na amostra;
  • Concentração por mililitro: 15,0 milhões/ml;
  • Motilidade progressiva (espermatozoides que se deslocam em uma direção): 32%;
  • Motilidade não progressiva (espermatozoides que movem a cauda, mas não deslocam): 40%;
  • Morfologia: 4% de ovais normais;
  • Vitalidade: 58% de espermatozoides vivos;
  • Concentração de leucócitos: aproximadamente 1,0×106/ml.

Indicação de reprodução assistida de acordo com o resultado

Em boa parte dos casos a infertilidade masculina tem tratamento, possibilitando a restauração da fertilidade. Porém, se mesmo após o tratamento ainda houver dificuldades para engravidar a parceira, a indicação passa o tratamento por técnicas de reprodução assistida.

Duas técnicas de reprodução assistida são indicadas para o tratamento de infertilidade masculina, de acordo com a gravidade do problema, inseminação artificial (IA) e fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (FIV com ICSI):

Inseminação artificial (IA)

É mais adequada quando há pequenas alterações na morfologia e motilidade. Na técnica, os espermatozoides são capacitados por métodos de preparo seminal e os melhores são inseridos em um cateter e depositados no útero da parceira durante o período fértil.

A fecundação acontece naturalmente, nas tubas uterinas, assim, as chances de gravidez são as mesmas da gravidez espontânea: entre 20% e 25% a cada ciclo do tratamento, que pode ser repetido por até seis ciclos, depois perde em eficácia.

FIV com ICSI

A injeção intracitoplasmática de espermatozoides foi incorporada à FIV na década de 1990, possibilitando o tratamento de fatores de infertilidade masculina de maior gravidade.

Na técnica, os espermatozoides, ao mesmo tempo que são selecionados pelo preparo seminal, podem ser recuperados dos epidídimos ou testículos, quando não estão presentes nas amostras. O que pode ser causado por alterações na espermatogênese ou por obstruções, resultando em azoospermia, principal causa de infertilidade masculina.

Antes da fecundação, que ocorre em laboratório, cada espermatozoide é ainda individualmente avaliado em movimento por um microscópio. Posteriormente é injetado diretamente no citoplasma do óvulo.

As chances de gravidez proporcionadas pela FIV são mais altas: em média 40% por ciclo de tratamento, que pode ser repetido diversas vezes, até que a gravidez seja bem-sucedida.

Quer saber mais sobre o espermograma? Toque aqui.

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Infertilidade feminina: conheça as causas
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